quinta-feira, 23 de julho de 2009

Speak in Tongues.

Saiu esse ano, não sei exatamente quando, o novo cd do Placebo. Sempre achei a banda meio deprê demais, mas enfim, acho que eles tem uma pegada melódica que se destaca entre tantas outras bandas iguais. E a voz do vocalista Brian Molko, é sem dúvida, inigualável (mas que bostinha ele fez deixando esse cabelo comprido heim? Tá parecendo a Posh Spice em 1996).

Aí a minha faixa preferida do álbum, "Bright Lights".

30 Contos: 12 'Odeio Interpol'

É meia noite e cinquenta e seis, cinquenta e tantas músicas que já tentei ouvir e apagar com falsas pretensões o branco cada vez maior que entendo e pressiono como vazio dentro do espaço do meu quarto.
É escuro, é quadrado.
Em um canto, algumas roupas jogadas, tênis empilhados, almofadas largadas e não usadas, que teriam seu lugar certo senão fosse meu relaxo e minha falta de vontade de ajeitar o que teoricamente é ajeitado. Mesma falta que me impede de ter disciplina com meus textos, minhas tarefas e minha saúde. A falta que me faz e que não me deixa fazer. Falta vontade de escrever, de andar, de acordar. É frio, é inverno, e quase todos os dias acordam muito cedo e terminam muito tardes, sempre de início cinzas e em todo o seu percurso não se colorem, só suavizam seu tom em alguns momentos, mas vai de encontro ao preto enquanto mais passa. E termina frio, na minha cama. Quando debaixo das cobertas me encontro e a umidade do chão tão perto chegam até minha pele, em cinzas me desfaço, ou assim preciso e quero. Continuo quase inteiro, se não fossem pedaços dos quais nem sinto falta já se decomporem.


Mais um dia em que todos os meus eus são desperdiçados comigo mesmo, sem dar um pouco do que sou para receber de quem é, que me mantém vivo e me dá motivos. Mais um dia que começa igual e teima em demorar, mais uma semana.


Talvez eu tenha a ela, a cidade, a quem ainda não me entreguei. Talvez seja por isso que ela não me presenteia mais todas as manhãs com o cheiro de baunilha. Eu nunca lhe devolvi o agrado. No máximo uma caminhada no calçadão pra fumar um cigarro, mas meu comprometimento com essas ruas ainda não foi firmado.


Não sinto mais o vento forte que cortava meu rosto, no percurso de bicicleta até o trabalho. O pneu da bicicleta está murcho a semanas, e não me importo em cansar mais minhas pernas. Não tenho paciência para resolver coisas inúteis, como enxer o pneu da bicicleta. De imaginar, parar no posto de gasolina e encher o pneu, já me irrito com todo o caminho mental e o (não) esforço físico.


Ouço as mesmas poucas músicas a muito tempo. Sem saco para ouvir novas vozes, novas frases, novas melodias que se repetem. Sem saco para ouvir as antigas. Sem saco para ter saco. Sem saco para mim mesmo e essas neuras intermináveis e, às vezes passageiras.


Droga de crise de adolescência tardia. É isso? É uma versão aos 21 dos conflitos plastificados na “Malhação”? É patético a esse ponto?


Maldita psicanálise, que explica tudo. Por que diabos a explicação tem que ser tão óbvia? Qual é a razão da crise, de sentir a agonia de ser se o porquê está debaixo do meu nariz, tão visível quanto invisível, tão absurda, complicada e infantil. Tão complexa de sentir e ridícula de se assistir. Qual é o ponto em que isso tudo tem que realmente acontecer, tanta idiotice mental por instantes,tanta desnecesidades, tanto medo de nada se tornando pavor de tudo? É excesso de inteligência ou a falta dela?


Quem disse que todas essas coisas são necessárias? Quem disse que todas essas perguntas precisam de respostas? Quem me dera um dia acordar ignorante e sem sentido, sem enxergar nada além da vida mediocre que a maioria vive, sem se preocupar com significado de alguma coisa que ninguém de verdade deve saber. E será que quem soube um dia não foram suicídas, que por algum motivo o qual ninguém sabe, resolveram terminar suas partes nessa história sem pé nem cabeça.


Definitivamente minhas falas e minhas ações nessa peça nem começaram. Se for pra abusar das ridículas e pretensiosas metáforas que eu tenho usado até agora (veja bem, eu comecei esse texto cheio delas), eu poderia dizer que isso tudo é só o ensaio pra uma grande peça, e eu tô perdidamente perdido nos corredores dos camarins, sem saber a hora de entrarem cena e como construir meu personagem.


Auto aceitação em dúvida, auto estima em baixa? Diabos. Só queria sair de mim mesmo por alguns segundos, pra, talvez, ver que nem tudo é tão complicado assim, e que não passa de tempestade em um copo de água. Um ponto de vista internamente externo. Talvez um clone de mim mesmo seria meu melhor terapeuta, ou só me deixaria louco.

Enfim, no fim passa-se meia hora de várias palavras e dentro, a mesma sensação.

O trem buzina lá longe. Minha perna adormeceu. Meus olhos teimam em piscar de sono. 01:23 é a hora em que eu realmente percebo que eu odeio Interpol.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

30 Contos: 11 'Aquário'

Por que você não deixa um pouco seu corpo e embarca nesse barco que percorre essa ladeira? Mantenha ele de lado, se despindo dos membros e peles, deixe de lado suas mãos e seus pulmões.
Deixe meus peixes dourados entrarem pelo seu nariz, e vamos assistir seu corpo brincar de aquário. Deixe suas mãos sozinhas para brincarem com seu novo jogo de facas. Permita que seu coração bata sozinho e diga palavras desconexas sobre como se sobrecarrega.
Mantenha seu corpo fora do seu momento. Deixe que ele perca peso e sobrevoe nossas cabeças dentro dessa bolha verde-púrpura. Solte seus dedos do pé e dele faça sua mais nova e colorida sopa de letrinhas. Não forme palavras.
Em uma tempestade de assopros seus cabelos deixarão suas raízes. Goste você ou não, coloque-se em um copo com muito gelo e dois dedos d’água. Embebede-se do seu corpo, estando fora e não mais o sendo.
Permita-se gozar. A ressaca é o pós necessário.

terça-feira, 30 de junho de 2009

30 Contos: 10 ‘Revoluções de Ano Novo’ - A NOVA TERÇA

Parei com a virada que fiz quando não entendi nenhuma palavra minha.

Mas que diabos são seus pensamentos, não mais que confusos dentro da sua cabeça, qual a minha obrigação em ajeitá-los e apresentar de uma maneira que a sua percepção extremamente morna normal entenda?

Por que não colocar minha cabeça pra frente e deixar cair as coisas como elas estão, sem criar regras nem sentidos (que me seguem, estão seguindo, como num túnel preto, juro). Não me segurarei mais nessa ponte em que todos estamos, entenda. Quero fazer um pouco o dia de amanhã mais o de depois de amanhã, um pouco noite de manhã e tarde na noite, tarde da noite.

Eis as resoluções para o ano novo:

Vou comprar uma grande samambaia azul pra colocar na sacada, e cada vez que fumarmos um cigarro lá, ela cantará canções de amor, entrando numa frequência não muito frequencial, fazendo o gato sorrir em coreografias não ensaiadas sobre nossos pés que estarão dançando.

Colocar minha cama que nem cama é num balanço, para num vai e vém blim plóm deixar de julgar meus sonhos, dormindo com pássaros (os animais que aqui estão não irão mais embora, é hora de interagir com as espécies).

Fazer músicas sem cifras nem tablaturas, nem notas destoando o que de verdade um conjunto de sons deveriam ser. Vamos fazer uma vaquinha (não tão animal) para dentro de dias podermos fazer de mais amigos acelerados cantando não uma parada de sucessos.

E enfim (sem final nem inicial), fazer das segundas intenções que tenho na terça um pouco mais de felicidade e de menos tempo se aproximando dos dias em que todos estaremos juntos na nossa casa na beira do mar. A família que escolhemos que brigará por mais amor do que podemos realmente dar, se é que há algum limite nessa troca que me faz tão bem e ainda dá algum sentido a essa bagunça toda.


Vamos trocar nossos travesseiros pra começarmos todos dormindo juntos?

terça-feira, 2 de junho de 2009

30 Contos: 09 'Oitava A'

Era um garoto de escola. Gel no cabelo, pequena mochila nas costas, livros encapados, cadernos etiquetados, meu nome em cada pequeno pertence a mim designado.
Cada palavra não lhe fugia, cada gesto era analisado e cada dia mais altos números para o orgulho de quem um dia tanto de cinza pintaria seus quadros.
Chegava cedo, cedo sentava, cedo pensava. Regrado, ia contra quem contra as regras ia. Não muito longe duraria, não tão longe andaria e ainda mais perto seria de um dia largar os cadernos e seguir na frente de um futuro.
(Não atrás, não correndo, não seguindo, na frente, como se não ligasse).
Sem algum orgulho falso e com muita admiração, ele fugiu de algumas obrigações, e escondido criou sua própria versão de deveres. A pátria que se dane, ele tinha mais a dar a algo maior.
Não que o algo maior um dia chegue, mas até lá ele terá seus cadernos em branco, esperando o seu melhor texto.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Remoto controle. Remete ao controle que perco.

30 Contos: 08 'Um Pouco Sobre a Falta'

Parado em frente ao computador, tentando vomitar algo, fazem algumas letras saírem de mim com a facilidade com que antes dançavam na minha mente, ela disse que também não tem inspiração.
- Eu também tô assim, cara. – depois de ouvir alguns lamentos de como momentos felizes podem tirar de dentro algumas palavras e as transformar em confetes jogados ao alto, fazendo assim com que se percam.
Já poucas são, o máximo são me sinto, não minto se disser que não mudo por nada. Estranho pensar que quando não me sinto bem e não aqui pertenço um pouco mais de mim vaza pelos dedos, cai em sua tela branca e flui mais ligeiramente. Agora aqui inteiro estou, e só espero elas virem.
- Adorei o texto. Meio tosco no início, mas fica ótimo ao decorrer – disse ela, ao ler o do dia anterior.
Ótimo seria ser sádico e mágico. Fazer de vontades e sorrisos mais arte. Demora não, vai ver o acaso entregou alguém pra lhe dizer o que qualquer dirá.

E eu aqui, em silêncio, sem dizer nada.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

30 Contos: 07 'Trailers'

Perdia tempo entre tantas cenas. Limpando algumas caixinhas, realizava um trabalho fácil e ágil, dentro e fora dos meus limites, com a preguiça habitual com que vivo e respiro. Trazia algumas piadas sujas e algumas maneiras erradas.
A garota dos grandes alargadores dentro do balcão ria das minhas falas, mau humor constante que se confundia com tantas gargalhadas, quase todas forçadas naturalmente no horário do lanche.
Nossos cafés frios e nossas fumaças, nossas dúvidas eram engolidas rapidamente para uma mais-rápida volta na quadra, relaxando nossos músculos e tirando pesos e medos da cabeça, em apenas algumas tragadas.
Voltava alegre, uma energia instantânea que esfriava rapidamente e discretamente mostrava o cansaço de mais um dia de trabalho forçado. O prazer dos primeiros meses era visível em alguns, e a agonia dos últimos dias brilhavam em meus olhos e de tantos outros.
Coca-cola como combustível, todos queriam fugir daquela grande sala de chão escuro, para um dia fingir, quem sabe voltar. E sentir saudades da mágica que um pouco de dor e a juventude criavam dentro daquela bolha.
Deixei minha gaveta cheia de pertences, coisas minhas, coisas de outros, coisas que não mais uso e algumas que me fazem falta. Quando fui buscar, soube que tudo havia sido jogado no lixo.
Dentro de um saco plástico na beira da rua, alguns pedaços de um pedaço de vida.

terça-feira, 26 de maio de 2009

daydream.


One day we're gonna live in Paris.
I promisse.
I'm on it.
/fimdesemana_comquemamo.

30 Contos: 06 'Pequeno “Sim” Sobre o Não-Sentido'

Uma nova realidade talvez funcione. Uma nova tentativa de algum contato não-físico. Hoje acordei algumas lembranças que já mortas estavam. Alguém que não deveria ter aparecido reapareceu, e assim permiti, e consenti, e lhe falei.
Lembranças, pra que existem? Pra nos lembrar do que não mais quero e não mais tenho? Necessito que alguns pensamentos não sejam tão fixos e tão reais, muitas vezes desleais comigo mesmo.
To implicando com eu mesmo pra descomplicar o eu próprio. Desde sempre que crio alegorias e pinto sobre paradas, meu rádio toca músicas em discos riscados e meus filmes tem cortes nas melhores cenas. Desde sempre que eu existo e desisto de projetos, me refaço em alguns gestos e não sei bem certo como é.
Como ser, como fazer, como sentir, como dizer, manterei minhas perguntas sem cozinhar minhas respostas.
Tédio.